Textos – Para encerrar o papo sobre a fuleiragem music

Nessa postagem, quero passar para todos, os links para dois textos interessantes. (A imagem abaixo, não tem nada a ver com o contexto, é só pra ilustrar, foi extraída do site do artista plástico Jaílson Server.)

O primeiro foi escrito por Zé Teles, na sua coluna semanal no JC online, uma “continuação” da matéria sobre as bandas de forró:

“Antes de mais nada, não estou fazendo campanha contra o chamado forró eletrônico, ou estilizado. Uso a tribuna virtual para expressar minha incredulidade de cidadão com o nível das apresentações da maioria destes grupos. Alguns deles exibem hoje, abertamente, para todo tipo de faixa etária, espetáculos que até outro dia se viam em locais fechados, que não permitiam a presença de menor de idade.

Ao contrário do que me escreveu um leitor, não considero que esta música exista porque o povo gosta. O povo foi ensinado a gostar desta música. Como gostava nos anos 60 e 70 de Chico Buarque (que vendeu 600 mil cópias do seu LP de 1978), ou dos Beatles. O popularesco entrou em moda na era Collor, que, bem- nascido, não gostava obviamente de Leandro & Leonardo, mas dava a entender que sim, pra agradar ao eleitorado, puro populismo. Com a massificação da monocultura sonora no rádio brasileiro, a população, mal informada, passou a gostar de qualquer gênero que entrasse na moda. Foi assim com os sertanejos, depois com a axé music, depois com o pagode, e agora com as bandas.

Quando atribui à axé music a existência da fuleiragem music, não quis dizer que a axé era ruim ou boa. Aliás, no início até que havia originalidade no axé, de onde saiu uma das mais interessantes ritmos híbridos da MPB, o samba-reggae, ou o batuque afro do Olodum. Aquele disco O canto da cidade, de Daniela Mercury é muito bom. O que a axé inspirou em todos os subgêneros popularescos (o brega, o pagode, e até o sertanejo) foi a estética de palco, o gestual do bate palminha, tira o pezinho do chão, mexe a bundinha etc etc. No entanto, por mais que forçasse a barra e continuar criando bobagens pra animar o rebanho do abadá, a axé music manteve-se dentro de certos limites. Já a grosseria nestes chamados forrós é própria deles.

Começou como uma brincadeira, uma brincadeira que acabou sendo o padrão em todas as bandas. Foi mais ou menos isto que aconteceu nos anos 70, com o forró (o de verdade), e o duplo sentido. No começou era “Passei a noite procurando tu”, “Ele tá de olho na butique dela”, “Que diabo você tinha?”, aí entrou Zenilton de sola com Tabaco, o gostoso da novela, Quiabo cru, Lasca de minhoca, e por aí vai. Porém os forrozeiros conheciam limites, e a piada foi perdendo a graça.

E os mais apelativos feito Sandro Becker saíram de linha. Com as bandas não. O tripé rapariga, cachaça, e gaia vem sendo repetido de tal forma, e há tanto tempo, que acabou entrando na linguagem do pessoal que curte tal tipo de música, na qual mulher sempre é gaieira ou pra ser consumida e cuspida em seguida. Cachaça é pra beber até cair, e carro não é apenas meio de transporte, mas lotação pra encher de rapariga. Moderação somente no bom-gosto.

A música? Sob qualquer critério, é muito ruim. Repete-se uma fórmula, com naipe de metais sem a menor criatividade. Os vocais são sempre muito monótonos. Os cantores formularam um tipo de interpretação apropriada para a grosseria do que cantam. As cantoras tentam emular Ivete Sangalo, cuja música também não é lá uma brastemp, mas pelo menos a baiana tem classe, ou pelo menos estilo.

A fuleiragem é música comercial no pior sentido do termo. Tudo bem que seja. Afinal, talento é pra quem tem, não pra quem quer ter. Agora, chamar aquilo de forró é um desrespeito à memória de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Abdias, Marinês, Jacinto Silva, Marinalva, Zito Borborema, Cobrinha, Lindú e Coroné (do Trio Nordestino), e tantos outros. E uma prova de que estas bandas só trazem forró no nome tá na revista Sucesso, de janeiro do ano passado.

Nela se anunciava o surgimento de mais uma banda a Dinamite do Forró, cujo estilo assim foi definido por Marquinhos Maraial, produtor do grupo: “A Dinamite do Forró traz uma mistura de forró, vanerão, axé, calipso e arrocha”. E aí onde se lê “forró” leia-se “lambada estilizada”. Nada contra a mistura de ritmos, ou a lambada, até porque, teve uma época em que Marinês, ou Abdias gravaram discos inteiros de carimbó. Mas não disfarçavam chamando aquilo de forró. Era carimbó mesmo, e do bom.”

E o segundo texto, foi enviado pelo Douglas Magalhães, da rádio Atalaia de Aracajú – SE, ele trata do fórum de debates que homenageou o nosso querido Dominguinhos. Foi a sétima edição do Fórum do forró e teve cerca de 1500 participantes.

‘Nos dias 3 e 4, o evento foi transmitido pelo portal especial criado pela Prefeitura Municipal de Aracaju (PMA). A novidade permitiu a participação nos debates de internautas do interior do Estado de Sergipe, como São Cristóvão e Itabaiana, e mesmo de outros Estados, como Pernambuco, São Paulo e Ceará.

A programação de hoje também estará disponível na rede. Esta iniciativa contou com o apoio do Governo de Sergipe e da Aperipê TV. As pessoas que perderam a oportunidade de prestigiar o evento, terão a chance de conferi-lo durante a programação especial da Aperipê TV, no dia 29, às 21h30, quando será apresentado um compacto do que foi discutido nos três dias de fórum.

A diretora presidente da Aperipê, Indira Amaral, conta que será uma grande responsabilidade transmitir em apenas uma hora um evento tão rico. “Pela importância do Fórum para a cultura nacional, e principalmente para o Nordeste, é uma obrigação da Aperipê exibir o conteúdo. Por ser uma a representante da TV Brasil, devemos dar visibilidade a temas não veiculados pelas empresas comerciais”, acrescenta.

Para Indira, o Fórum do Forró é indispensável na manutenção da matriz cultural do Nordeste. “O evento reflete a cultura e faz com que a tradição não se acabe. Ele se caracteriza como resistência e renovação”, ressalta, reforçando que é de suma importância que todas as administrações mantenham o compromisso com a execução deste tipo de evento.

Continuidade

O prefeito Edvaldo Nogueira sancionou a Lei 3.559, de 26 de maio de 2008, instituindo permanentemente o evento no calendário junino da cidade. “Quem não conhece as suas raízes e quem não conhece a sua aldeia não pode pensar em dar vôos maiores. Um povo que não nutre, trabalha, discute e nem preserva sua cultura tem um futuro muito tênue como povo, como gente e como nação”, destacou.

Edvaldo reafirma seu compromisso de seguir contribuindo para a valorização e a preservação da cultura de sergipana. “O fórum foi justamente criado para que pudéssemos embasar teoricamente os debates, contribuir para a formação do público, disseminar o forró e estudar os grandes artistas que fazem desse gênero tão rico e universal. Por isso, resolvemos instituir esse evento na agenda cultural de Aracaju e do Estado de Sergipe”, argumentou.’

Caçulinha – Clássicos do sertão

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Essa é uma colaboração da Cláudia, do Blog Cantos e encantos, que não é um blog de forró, mas quem gosta e está acostumado a ouvir música boa, sempre reconhece um talento.

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Esse LP, ela recebeu de um amigo do amigo, creio que ainda não está na net. Embora não seja de forró, o disco tem a sanfona do Caçulinha comandando em todos os arranjos, sendo assim, creio que já vale a pena ouví-lo.

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‘Eis aqui uma verdadeira seleção de clássicos da nossa música sertaneja. Quem o interpreta é Rubens Antonio da Silva, o “Caçulinha”. Produto de uma geração de autênticos representantes da música brasileira. Caçulinha nos mostra mais uma faceta da sua versatilidade. … Esse autêntico e bem intencionado trabalho agradará não somente o sertanejo, como ao homem da cidade grande, cujas raízes estão certamente fincadas em alguma parte de algum sertão.’ (Trechos extraídos da contra capa)

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Participação especial de Altamiro Carrilho, tocando flauta, na faixa “Luar do sertão / Tristeza do Jeca”.

Caçulinha – Clássicos do sertão
1981 – Veleiro

01.

  • Luar do Sertão (Catulo da Paixão Cearense)
  • Tristeza do Jeca (Angelino de Oliveira)

02.

  • Pingo D’água (Raul Torres – João Pacífico)
  • Cabocla Tereza (João Pacífico – Raul Torres)

03.

  • Chico Mineiro (Tonico – Francisco Ribeiro)
  • O Menino da Porteira (Teddy Vieira – Luisinho)

04.

  • Saudade de Minha Terra (Goiá – Belmonte)
  • Cavalo Preto(Anacleto Rosas Júnior)

05.
Esticadinho (Caçulinha – Jair Roberto)
06.

  • Chitãozinho e Xororó (Athos Campos – Serrinha)
  • João de Barro (Teddy Vieira – Muybo Cury)

07.

  • Piracicaba (Newton de Almeida Mello)
  • Canoeiro (Zé Carreiro)
  • Rio de Piracicaba (Rio de Lágrimas) (Piraci – Lourival dos Santos – Tião Carreiro)

08.

  • Cortando Estradão (Anacleto Rosas Júnior)
  • Três Boiadeiros (Palmeira)
  • Cavalo Zaino (Raul Torres)

09.
Ferreirinha na Viola (Tradicional / Adapt. Francisco Nepomuceno De Oliveira “Chico”)
10.

  • Vida Malvada (Almirante – Lúcio M. Azevedo)
  • Estrada da Vida (José Rico)

11.

  • Domingo no Parque (Gilberto Gil)
  • Disparada (Geraldo Vandré – Theo de Barros)
  • Asa Branca (Luis Gonzaga – Humberto Teixeira)
  • Prenda Minha (Tradicional)

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Tonico do Joazeiro – Pau de arara na lua

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Mais uma colaboração preciosíssima do Goes, ele disse:

“Eis uma obra que dignifica o nosso forró.
Infelizmente não tenho informações sobre o cantor e compositor Tonico do Joazeiro – do Ceará.”

É verdade Goes, eu também não achei nada sobre o Tonico, achei algumas coisas sobre o Ado Benatti, principal compositor das músicas desse álbum. Mas mesmo sem essas informações, fiquei feliz em conhecer um artista que ainda não conhecia e mais feliz ainda em poder compartilhar isso com todo o mundo.

O disco é de primeira, passa por vários ritmos que compõe o forró, é pra ninguém botar defeito.

Recebemos do DJ Thomas, de São Paulo – SP, as capas do relançamento do Tonico do Joazeiro, lançado pelo selo Cantagalo.

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São as mesma músicas, como alguns títulos são diferentes entre as duas edições desse álbum eu lhe perguntei se eram músicas distintas, ele respondeu: ” ano de lançamento entre 1966 e 1967, as faixas são todas iguais o problema é que a escrita e a capa estão divergentes”.

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Segundo o nosso querido DJ Vinícius, de Belo Horizonte – MG, essas capas são do re-lançamento, afinal o selo Musicolor é mais antigo que o Cantagalo.

Tonico do Joazeiro – Pau de arara na lua
Musicolor

LADO A
01. Pau de arara na lua – Rojão (Ado Benatti e Tonico do Joazeiro)
02. A dança do côco – Côco (João Ferreira e Tonico do Joazeiro)
03. Boi tungão – Baião (Rocha de Menezes e M. Christofani)
04. Candidato a pau de arara – Xote (J. Ferreira e Ado Benatti)
05. Se Deus quiser – Xote (Ado Benatti – Tonico do Joazeiro)
06. Forró da calçada – Forró (Sebastião F. da Silva e Carijó)

LADO B
01. Cesta de natal de pobre – Baião (Ado Benatti – Tonico do Joazeiro)
02. Abacaxi – Côco (Ado Benatti – Zé do Rancho)
03. Trem baiano – Baião (Ado Benatti – Lourival dos Santos)
04. Frei Damião do Joazeiro – Forró (Tonico do Joazeiro – Sidney de Morais)
05. Não sou macaco – Samba (Ado Benatti – Tonico do Joazeiro)
06. Diário de um baiano – Baião moderno (Ado Benatti – Ithamar Regiani)

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CD – Flávio José – Me diz, amor

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Em todos os discos do Flávio José, que eu conheço, lembro-me de gravações de ótima qualidade e nesse disco não é diferente! As músicas variam de arranjos mais tradicionais até outros um pouco mais acelerados, mas sempre com muito balanço e bom gosto. Gosto de ouvir as músicas com fones de ouvido para perceber melhor os detalhes, as diferentes sanfonas de cada lado da gravação, por exemplo.

Um repertório cuidadosamente escolhido e composto por grandes nomes do forró. O CD tem músicas de autoria de Antonio Barros, Petrúcio Amorim, Accioly Neto, Onildo Almeida, Jorge de Altinho e Pinto do Acordeon, entre outros.

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Produção e arranjos de Flávio José, arranjos de acordeon de Genaro e Flávio José, além de Quartinha no zabumba. Destaque para a faixa título “Me diz, amor”, para o ‘pot pourri’ “ABC do amor – A separação – Lembrança de você” e para a intrumental “De bem com a vida”.

Flávio José – Me diz, amor
2001 – BMG

#01. Estradar (Anchieta Dali)
#02. É sempre assim (Petrúcio Amorim – Rogério Rangel)
#03. Me diz, amor (Accioly Neto)
#04. Eu já vi tudo (Jorge de Altinho – Jorge Silva)
#05. Passa lá em casa (Lázaro do Piauí)
#06. Vaqueiro violeiro (Carlos Villela)
#07. Furacão (Pinto do Acordeon)
#08. O que a gente faz (Antonio Barros)
#09.

  • ABC do amor (Onildo Almeida)
  • A separação (Jorge de Altinho – Feliz de Barros – Giza Rocha)
  • Lembrança de você (Genário – Cobrinha)

#10. Alma brasileira (Anna Fernandes – Abdon Fernandes)
#11. Chovendo sinceridade (Maciel Melo)
#12. De bem com a vida (Flávio José)
#13. Fulô do campo (Junior Vieira)

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CD – Fúba de Taperoá – Vai lá no meu forró

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Sempre que penso no Fúba, me vem a lembrança dois lindos xotes. Ambos estão nesse CD, ambos tem a participação de Renato Cigano na sanfona, um é “Bela menina” de Lereu do Pandeiro e Juberlino M. Levino. Juberlino vocês sabem quem é, não? E o outro é “É só saudade” de Oséas Lopes e Luiz Guimarães, gravado anteriormente pelo Zito Borborema.

O álbum tem uma sequência interessante dividindo-o por ritmos, vários xotes no começo, seguidos de dois arrastapés e só então cai no forró, que para o Fúba é naturalmente sambado, e no samba.

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Participação especial de Gereba tocando viola na faixa “Solidão da vida”. Direção artística de Elba Ramalho, produção e acordeon de Dominguinhos, contra baixo e guitarra de Lau, agogô de Zezum e pandeiro de Fúba de Taperoá.

Fúba de Taperoá – Vai lá no meu forró
Panela Music

#01. Bela menina (Lereu do Pandeiro – Juberlino M. Levino)
#02. Solidão da vida (Messias da Viola – Juberlino M. Levino)
#03. É só saudade (Oseas Lopes – Luiz Guimarães)
#04. Quem eu quero bem (Olimpio Porfiro – Juberlino M. Levino)
#05. Me engana que eu gosto (Durval Vieira – Juberlino M. Levino)
#06. Ouro em pó (Professor do Ritmo – Juberlino M. Levino)
#07. Tá assim de gavião (Durval Vieira – Juberlino M. Levino)
#08. A minha terra é assim (Luiz Amorim – Juberlino M. Levino)
#09. Vaqueiro não é toureiro (Professor do Ritmo – Juberlino M. Levino)
#10. Quero sambar (Juberlino M. Levino)
#11. Agradeço a natureza (Nandinho do Pandeiro – Lereu do Pandeiro)

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Trio Nordestino – Trio Nordestino

Colaboração do sergipano Everaldo Santana

Esse é o primeiro LP do Trio Nordestino.

Antes dele havia sido lançado em 1962 um 78RPM com as músicas “Carta a Maceió” de Gordurinha e “Defesa de Baiano” de Elias Alves.

Trio Nordestino – Trio Nordestino
1963 – Copacabana

01. Carta a Maceió (Gordurinha)
02. Defesa de Baiano (Elias Alves)
03. Saudade do Nordeste (Buco do Pandeiro – Zé Araujo)
04. Retrato da Bahia (Riachão)
05. O Canto do Passarinho (Lindolfo Barbosa)
06. Muié Ciumenta (Buco do Pandeiro – Zé Araujo)
07. Chupando Gelo (Edesio Dêda)
08. Xaxando Bamba (João Silva – Ary Monteiro)
09. Moça Bossa Nova (Joca de Castro)
10. Nair (João Silva – Agenor Madureira)
11. Não Tá Certo Não (Gordurinha)
12. Côco Sergipano (Buco do Pandeiro – Zé Araujo)

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Novinho da Paraíba – Forró fogoso

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Hoje estou aqui para postar, pela primeira vez, um disco do Novinho da Paraíba. Apesar de ser um músico não tão conhecido aqui pelo sudeste, Novinho tem diversos discos gravados, eu devo ter uns 04 e já vi mais uns 04 diferentes, que não tenho, mas não sei ao certo quantos trabalhos ele já realizou na sua carreira. (Capas do Maicon Fuzuê)

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“Novinho da Paraíba é fruto dos forrós de Monteiro e adjacências. Das festas nos terreiros, nos salões das humildes casas familiares, em dia de casamento, onde sempre foi indispensável a presença de um sanfoneiro e um cantandor para alegrar os convivas a espera de bodas. Com seu acordeon alegrou as noitadas de sua terra e alegrou a sua gente. Porém o seu canto e seu talento músical eram tão fortes, que logo foram sentidos e identificados em outros centros. Não demorou a mudar-se para o Recife, onde conquistou logo o povo da cidade grande, e como não poderia deixar de ser, das adjacências.”

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(foto retirada do site da casa Sala de Reboco)

Esse parágrafo acima foi escrito pelo crítico de arte Valdi Coutinho no texto de contra capa desse LP.

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Hoje em dia, Novinho da Paraíba continua na ativa alegrando as festas e o São João por todo o nordeste.

Novinho da Paraíba – Forró fogoso
Polydisc – 1986

01. Forró fogoso (J. Michellis)
02. Machucando o coração (Belo Xis – Jorge Silva)
03. Solidão no peito (Jorge Silva – Novinho da Paraíba – Edson Vieira)
04. Quero seu amor (Novinho da Paraíba – Evanildo Maia)
05. Beleza de Maria (Mário Telles – Novinho da Paraíba)
06. Saudade não mata ninguém (Alcymar Monteiro – André Araújo)
07. Tempero do amor (Jorge Silva – Joãozinho)
08. Doidinho de paixão (Novinho da Paraíba – Jorge Silva)
09. Coração maneiro (J. Michelles)
10. Na casa do seu Lino (Evanildo Maia – Novinho da Paraíba)

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Texto – A música dos valores perdidos

Recebemos do José Teles, jornalista e crítico musical do Jornal do Comércio do Recife – PE, um artigo que ele escreveu e publicou a pouco menos de um mês. O texto “A música dos valores perdidos” critica as ‘bandas’ de forró, que se auto denominam “Forró estilizado”, eita! Mais um nome pra denominar o mesmo tipo de música, se é que podemos chamar isso de música… (A foto acima não tem nada a ver com esse contexto, é só pra ilustrar. Foi extraída do site do Atelier Ana Beatriz Miniaturas)

“Tem rapariga aí? Se tem levante a mão!”. A maioria, as moças, levanta a mão.

Diante de uma platéia de milhares de pessoas, quase todas muito jovens, pelo menos um terço de adolescentes, o vocalista da banda que se diz de forró utiliza uma de suas palavras prediletas (dele só não, de todas bandas do gênero). As outras são “gaia”, “cabaré”, e bebida em geral, com ênfase na cachaça. Esta cena aconteceu no ano passado, numa das cidades de destaque do agreste (mas se repete em qualquer uma onde estas bandas se apresentam). Nos anos 70, e provavelmente ainda nos anos 80, o vocalista teria dificuldades em deixar a cidade.

O secretário de cultura Ariano Suassuna foi bastante criticado, numa aula-espetáculo, no ano passado, por ter malhando uma música da banda Calipso, que ele achava (deve continuar achando, claro) de mau gosto. Vai daí que mostraram a ele algumas letras das bandas de “forró”, e Ariano exclamou: “Eita que é pior do que eu pensava”. Do que ele, e muito mais gente jamais imaginou.

Pruma matéria que escrevi no São João passado baixei algumas músicas bem representativas destas bandas. Não vou nem citar letras, porque este jornal é visto por leitores virtuais de família. Mas me arrisco a dizer alguns títulos, vamos lá: Calcinha no chão (Caviar com Rapadura), Zé Priquito (Duquinha), Fiel à putaria (Felipão Forró Moral), Chefe do puteiro (Aviões do forró), Mulher roleira (Saia Rodada), Mulher roleira a resposta (Forró Real), Chico Rola (Bonde do Forró), Banho de língua (Solteirões do Forró), Vou dá-lhe de cano de ferro (Forró Chacal), Dinheiro na mão, calcinha no chão (Saia Rodada), Sou viciado em putaria (Ferro na Boneca), Abre as pernas e dê uma sentadinha (Gaviões do forró), Tapa na cara, puxão no cabelo (Swing do forró). Esta é uma pequeníssima lista do repertório das bandas.

Porém o culpado desta “desculhambação” não é culpa exatamente das bandas, ou dos empresários que as financiam, já que na grande parte delas, cantores, músicos e bailarinos são meros empregados do cara que investe no grupo. O buraco é mais embaixo. E aí faço um paralelo com o turbo folk, um subgênero musical que surgiu na antiga Iugoslávia, quando o país estava esfacelando-se. Dilacerado por guerras étnicas, em pleno governo do tresloucado Slobodan Milosevic surgiu o turbo folk, mistura de pop, com música regional sérvia e oriental. As estrelas da turbo folk vestiam-se como se vestem as vocalistas das bandas de “forró”, parafraseando Luiz Gonzaga, as blusas terminavam muito cedo, as saias e shortes começavam muito tarde. Numa entrevista ao jornal inglês The Guardian, o diretor do Centro de Estudos alternativos de Belgrado. Milan Nikolic, afirmou, em 2003, que o regime Milosevic incentivou uma música que destruiu o bom-gosto e relevou o primitivismo estético,. Pior, o glamur, a facilidade estética, pegou em cheio uma juventude que perdeu a crença nos políticos, nos valores morais de uma sociedade dominada pela máfia, que, por sua vez, dominava o governo.

A cantora Ceca foi uma espécie de Ivete Sangalo do turbo folk (ainda está na estada, porém com menor sucesso). Foram comprados 100 mil vídeos do seu casamento com Arkan, mafioso e líder de grupo para-militares na Croácia e Bósnia. Arkan foi assassinado em 2000. Ceca presa em 2003. Ela não foi a única envolvida com a polícia, depois da queda de Milosevic, muitos dos ídolos do turbo folk envolveram-se com a justa pelo envolvimento com a poderosa máfia de Belgrado.

A temática da turbo folk era sexo, nacionalismo e drogas. Lukas, o maior ídolo masculino do turbo folk pregava em sua música o uso da cocaína. Um dos seus maiores hits chama-se White (a cor do pó, se é que alguém ignora), e ele, segundo o Guardian, costumava afirmar: “Se cocaína é uma droga, pode me chamar de viciado”. Esteticamente, além da pouca roupa, a sanfona é o instrumento que se destaca tanto no turbo folk quanto no chamado forró eletrônico, instrumento decorativo, ali muito mais para lembrar das raízes da música tradicional. Ressaltando-se que não se tem notícia de ligação entre bandas de “forró” e crime organizado. No que elas são iguaizinhas é que proliferaram em meio a débâcle de valores estéticos, morais, e éticos, e despolitização da juventude. Com a volta da governabilidade nas repúblicas da antiga Iugoslávia, o turbo folk perdeu a força, vende ainda porém muito menos do que no passado, hoje é apenas uma música popular para se dançar, e não a trilha sonora de um regime condenado por, entre outras lástimas, genocídio.

Aqui o que se autodenomina “forró estilizado” continua de vento em popa. Tomou o lugar do forró autêntico nos principais arraiais juninos do Nordeste. Sem falso moralismo, nem elitismo, um fenômeno lamentável, e merecedor de maior atenção. Quando um vocalista de uma banda de música popular, em plena praça pública, de uma grande cidade, com presença de autoridades competentes (e suas respectivas patroas) pergunta se tem “rapariga na platéia”, alguma coisa está fora de ordem. Quando canta uma canção (canção ?!!!) que tem como tema uma transa de uma moça com dois rapazes (ao mesmo tempo), e o refrão é “É vou dá-lhe de cano de ferro/e toma cano de ferro!”, alguma coisa está muito doente. Sem esquecer que uma juventude cuja cabeça é feita por tal tipo de música é a que vai tomar as rédeas do poder daqui a alguns poucos anos.

Luiz Gonzaga – De fiá pavi

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Embora esse disco marque a reaproximação de Luiz Gonzaga com o compositor João Silva, é justamente nele que o rei homenageia seu ex-parceiro, Humberto Teixeira, que havia falecido quase dez anos antes, em 1979. É na faixa “Doutor do baião” que Lua declara sua saudade e apreço pelo antigo e letrado parceiro, de inúmeras composições.

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Humberto Teixeira, durante sua carreira, teve mais de 400 composições de sua autoria que foram gravadas pelos grandes expoentes da época. Ele conheceu e começou a trabalhar junto com Luiz Gonzaga em 1945, ou seja foram pelo menos 34 anos de uma parceria de muito sucesso.

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Participação de Gonzaguinha na faixa “Mariana”, dele em parceria com seu pai, que pra quem não sabe, é uma música que foi feita para Mariana Aydar, que acabara de nascer. Produção de Oséas Lopes, arranjos e regências de Chiquinho do acordeon, que por sua vez também gravou sanfona juntamente com Dominguinhos. As músicas que se deestacaram mais nesse álbum foram “De fiá pavi”, “Nem se despediu de mim” e “Pobre do sanfoneiro”.

Luiz Gonzaga – De fiá pavi
1987 – RCA

#01. De fiá pavi (João Silva – Oseinha)
#02. Zé budega (Cecéu)
#03. Nem se despediu de mim (João Silva – Luiz Gonzaga)
#04. De olho no candeeiro (João Silva – Zé Mocó)
#05. Quero ver correr moleque (João Silva – Oseinha)
#06. Forró no interior (João Silva – Oseinha)
#07. Eu me enrabicho (João Silva – Pollyana)
#08. Doutor do baião (João Silva – Luiz Gonzaga)
#09. Forró do Zé Antão (Zé Dantas)
#10. Festa de Santo Antonio (Alcymar Monteiro – João Paulo Jr.)
#11. Mariana (Gonzaguinha – Gonzagão)
#12. Toca pai (João Silva – Luiz Gonzaga)
#13. Pobre sanfoneiro (João Silva – Luiz Gonzaga)

Para baixar esse disco, clique aqui.

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Léo Peracchi e orquestra – Exaltação ao Baião

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Hoje seria um dia para o Tick postar algum disco, como ele deve estar muito atribulado no trabalho, resolvi postar um disco dele que está aqui em casa. Esse disco tem uma história curiosa, na última vez que fomos ao centro da cidade, encontramos uma pilha de vinis numa famosa loja de CDs de forró aqui de São Paulo, era o final da coleção do dono da loja, que estava se desfazendo de seus preciosos e muito bem conservados vinis.

Esse disco é composto por músicas do Humberto Teixeira, que na época era deputado federal, advogado, jornalista, poeta e compositor, nascido em Iguatú – CE, em 05/01/1915. Ficou conhecido como o “Doutor do baião”. Da parceria com Luiz Gonzaga, em meados de 1945, surgiu o baião, juntos eles substituíram os instrumentos originais, viola, pandeiro, melê e rabeca, por sanfona, triângulo e zabumba.

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No trecho abaixo, extraído da contra capa, o autor se refere ao século passado, como o disco é do século XX, reparem que a referência é ao século XIX.

“Baião, corruptela da palavra baiano, designa no nordeste o ritmo da viola sertaneja. Define também um tipo de dança popular que foi muito comum no norte do Brasil até fins do século passado. Depois de 1944, após o sensacional lançamento feito no Rio da estilização criada por Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga em torno desse velho ritmo sertanejo, a palavra baião passou a designar de forma definitiva um novo gênero musical que revolucionou quatro séculos de música popular brasileira e que em pouco tempo haveria de conquistar as simpatias do mundo inteiro. A seleção constante deste LP que a Odeon oferece ao seu público, contou com a colaboração do Maestro Léo Peracchi, que soube imprimir em cada música, a expressão de seu talento de grande orquestrador.”

Léo Peracchi e orquestra – Exaltação ao Baião (Músicas de Humberto Teixeira)
Odeon

01. Baião (Luis Gonzaga / Humberto Teixeira)
02. Benzim (Humberto Teixeira)
03. Rosamélia (Humberto Teixeira)
04. Zezé (Humberto Teixeira / Caribé da Rocha)
05. Ajuda Teu Irmão(Humberto Teixeira)
06. Kalú (Humberto Teixeira)
07. Adeus Maria Fulô (Humberto Teixeira / Sivuca)
08. Carrapicho (Humberto Teixeira)
09. Baião de São Sebastião (Humberto Teixeira)
10. Paraíba (Humberto Teixeira / Luis Gonzaga)
11. Dono dos Teus Olhos (Humberto Teixeira)
12. O Baião Em Paris (Humberto Teixeira)

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