Cap09.14 – Conjunto Regional – Livro – O que é o Forró? (2022)

Os instrumentos usados nas gravações da década de 1940, como Tuba, Flauta, Clarinete, Violão de 7 cordas, Banjo, Cavaquinho, entre outros, passam a compor os Conjuntos Regionais que acompanhavam os solistas nas gravações dos discos de 78 RPM e apresentações ao vivo nas emissoras de rádio.

Parte do livro: O que é o Forró? Um pequeno apanhado da história do Forró./ Ivan Dias e Sandrinho Dupan. 2022 ISBN978-65-997133-0-9
Projeto contemplado pela 2a Edição do Fomento ao Forró, da “Secretaria Municipal de Cultura” da cidade de São Paulo.

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Cap09.15 – Baixo, Guitarra e Bateria – Livro – O que é o Forró? (2022)

O Contrabaixo, Guitarra e Bateria aparecem nas gravações do Forró a partir da década de 1970, mais precisamente em 1974, no LP “É Proibido Cochilar”, d’Os 3 do Nordeste, lançado pela gravadora CBS, sob direção artística de Abdias, um dos mais habilidosos e produtivos tocadores de “8 Baixos”.

Parte do livro: O que é o Forró? Um pequeno apanhado da história do Forró./ Ivan Dias e Sandrinho Dupan. 2022 ISBN978-65-997133-0-9
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Cap10 – Revoluções Tecnológicas – Livro – O que é o Forró? (2022)

Hoje, a música é digital. Antes era analógica e aos poucos vem se modernizando. No finalzinho do século 19 e início do século 20 surgiram as primeiras gravações. As rádios começaram suas atividades na década de 1920 e tiveram seu ápice durante as décadas de 1940 e 1950, junto com o Baião, revolucionaram a música brasileira e a indústria cultural que a cerca.

Nessa época, eram produzidos discos de 78 RPM em goma laca, um material frágil e quebradiço. Os exemplares inteiros que ainda existem são raridades.
Em seguida a tecnologia evoluiu e o material plástico vinil passa a ser utilizado. Durante décadas foram produzidos discos com diferentes polímeros, de melhor e pior qualidade, gravados em 33 e 45 rotações.

Na década de 1990 surge a tecnologia digital e o CD passou a dominar o mercado. Houve o declínio e encerramento de produção da maior parte dos discos de vinil pela indústria mundial, o vinil caiu em desuso, mas nunca deixou de ser produzido e consumido. Os últimos LPs de Forró foram gravados e lançados em 1997.

Com a revolução digital o Forró perdeu muito, pois as grandes gravadoras não se interessaram em relançar o repertório fonográfico do Forró e nem fomentar novas bandas.

Durante duas décadas, boa parte do público forrozeiro passou a armazenar música em seus próprios computadores, HDs e Pen Drives, em formatos compactados, de MP3 a FLAC. Comprando downloads, compartilhando ou copiando dos discos, próprios e dos amigos, uma forma eficiente, mas trabalhosa de colecionar.

Os serviços de streaming vieram para organizar e deixar sempre disponível para o ouvinte o que cada pessoa mais gosta, desde que tenha conexão boa com a internet (Digital Virtual).

Essa migração de grande parte do público consumidor para as plataformas de streaming, foi mais um duro golpe para o Forró, que mais uma vez corre atrás do prejuízo para ter suas músicas publicadas e disponíveis. Sem depender de gravadoras, hoje, os artistas têm conseguido lançar suas músicas e produções diretamente na rede.

Mesmo com todas as facilidades da tecnologia digital, as mídias físicas continuam sendo objeto de desejo para os fãs e colecionadores. Na última década, a venda de discos físicos voltou a superar a venda de downloads.

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Cap11 – As expressões de duplo sentido nas músicas do Forró – Livro – O que é o Forró? (2022)

As expressões de duplo sentido ocorrem em diversos gêneros da música brasileira, versos, poesias, prosas, sátiras e nos ditos populares, tornando os brasileiros especialmente ‘bem-humorados’, fazendo piadas, enigmas, metáforas e trocadilhos.

Tudo que uma criança pode ouvir e entender sem precisar de explicações, e ao mesmo tempo, fugir da obviedade usando uma certa magia, um gracejo, a arte de colocar onde não cabe, tirar de onde não tem.

No Forró, especialmente, essas expressões são muito comuns. Durante o período colonial, da interação dos escravizados africanos com os captores europeus, surgiu o embrião que deu origem às expressões de duplo sentido.

Na África, os bantus não tinham escrita, toda a sua cultura era oral. Passando de pai para filho, de mestre para aprendiz, com jogos de palavras e reuniões orais onde o conhecimento era compartilhado e cultivado. Fato que fez com que eles tivessem grande facilidade e domínio sobre as palavras e construção de frases.

Já no Brasil, os escravizados cativos só podiam falar português, e assim passaram a manipular as palavras e construir as frases de forma ambígua, de forma a poderem se comunicar abertamente, durante suas cantorias, sobre assuntos ‘proibidos’, fazer chacota dos senhores ou combinarem fugas e rebeliões.

Os portugueses, dominavam muito bem a escrita e a leitura, mas interpretavam as frases e palavras ‘ao pé da letra’ e com isso não entendiam os trocadilhos falados pelos escravizados. A partir daí esses enigmas, expressões divertidas e jocosas, trocadilhos e afins, passaram a fazer parte das composições musicais brasileiras.

O Forró continua evoluindo até hoje e tem diferentes formas de brincar com as palavras e seus significados, apenas pelo desejo de manter a insinuação ou pelo simples fato de driblar a censura. As letras podem ser inteligentes e de bom gosto ou também podem ser mais diretas e pouco elegantes.

Enquanto o explícito soa vulgar e escrachado, a insinuação é provocadora e sofisticada. Estimula o pensamento e a análise do sentido da frase, permitindo que o ouvinte colabore com o significado, preenchendo as lacunas deixadas para a compreensão do conteúdo implícito.

Hoje podemos dividir as letras de duplo sentido em várias categorias, que visam promover o humor através da ambiguidade, com engenhosos e irreverentes efeitos de significado.

Essas expressões abrem possibilidades para cada um interpretar cada música de uma forma diferente. São parte da nossa cultura e dão uma ‘chacoalhada’ no cérebro para que fiquemos mais alertas para as palavras e seus significados.

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Cap12 – Ramificações do Forró – Livro – O que é o Forró? (2022)

São quatro os ramos básicos do Forró, considerados critérios cronológicos e temáticos.

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Cap13 – Forró Tradicional (década de 1940) – Livro – O que é o Forró? (2022)

O Forró Tradicional, é hoje também conhecido como Forró Pé de Serra ou Forró de Trio, em alusão a sua formação mais comum: Sanfona, Zabumba e Triângulo.

Em 1997, a Sony Music havia comprado a CBS e, naquele contexto de reorganizar o acervo, resolveu lançar uma coletânea com o melhor do Forró que havia em seus arquivos. Uma coletânea de Forró Tradicional com 20 músicas, de vários artistas e diferentes anos de gravação, batizou-a com um nome despretensioso: “Forró Pé de Serra”. Indicando que se tratava daquele Forró antigo tocado nas fazendas, lá nos pés de serra… Naquele momento, a perspectiva comercial era renovar e impulsionar as vendas com o “novo” Forró, usando o nome que já estava fortemente arraigado no subconsciente coletivo, batizando a nova tendência com o nome antigo.

Não é a primeira vez na história que uma tendência adotava uma nova denominação apenas para se preservar. Com o aparecimento dessa nova vertente, que também se auto intitulava Forró, a partir dessa ocasião, a mídia passou a classificar o Forró Tradicional como Forró Pé de Serra.

Surgiu no nordeste brasileiro no século 18, nas periferias das capitais e no interior dos estados da Bahia, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas. Vale ressaltar que era tocado originalmente por outros instrumentos, como Pífanos, Rabecas e Violas, além de variadas percussões, mas foi lapidado durante os séculos até chegar a esse formato de trio.
Foi levado para o Rio de Janeiro por Luiz Gonzaga. Lançado na rádio e em gravações, no início da década de 1940, espalhou-se o Forró para todo o Brasil através de discos, rádios e shows.

A temática mais comum das letras fala sobre a natureza, a seca que assolou o nordeste brasileiro na época e ao êxodo dos retirantes para o sudeste. Com o passar das décadas outras características se multiplicaram, abrindo mais espaço para composições de duplo sentido e temas engraçados. A temática sobre amores e desamores aos poucos passa a ser a mais gravada.

Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga foram os dois maiores ícones da música nordestina, com características muito distintas. Jackson era mais urbano, um verdadeiro cronista do seu cotidiano, um artista que “propôs” misturar “Miami com Copacabana”. Já Gonzagão era mais ortodoxo e naturalmente ruralista na forma de se vestir, durante a maior parte da sua carreira, as suas temáticas eram voltadas para o campo.

A década de 1940 foi importantíssima para o Forró, pois já no final dos anos 1950, passaria a dividir, com outros ritmos e tendências, o espaço conquistado no imaginário nacional.

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Cap13.1 – Principais Artistas e Trios do Forró Tradicional – Livro – O que é o Forró? (2022)

Na lista a seguir, alguns dos principais nomes do gênero e respectivas datas das primeiras gravações:
Exemplo: Luiz Gonzaga teve seu primeiro álbum lançado em 1956, porém, sua primeira gravação, em disco de 78RPM, foi feita em 1941.

Principais Artistas e Trios do Forró Tradicional

 Luiz Gonzaga (1956)(*1941)
 Marinês (1956)
 Jackson do Pandeiro (1955)(*1953)
 Carmélia Alves (1956) (*1943)
 Zito Borborema (1957) (*1956)
 Genival Lacerda (1958) (*1956)
 Ary Lobo (1958) (*1956)
 Trio Nordestino (1963)
 Dominguinhos (1964)
 Osvaldo Oliveira (1964)
 Jacinto Silva (1965)
 Trio Mossoró (1965)
 Azulão de Caruaru (1965)
 Clemilda (1965)
 João do Pife (1966)
 Zenilton (1967)
 Joci Batista (1969)
 Elino Julião (1971)
 Os 3 do Nordeste (1973)
 Messias Holanda (1973)
 Jacinto Limeira (1975)
 Lucimar (1976)
 Assisão (1976)
 Edson Duarte (1976)
 Manoel Serafim (1977)
 Trio Juazeiro (1977)
 Nazaré Pereira (1979)
 Alcymar Monteiro (1980)
 Fuba de Taperoá (1981)
 Os Filhos do Nordeste (1982)
 Trio Xamego (1982)
 Trio Sabiá (1985)
 Trio Virgulino (1986)
 Biliu de Campina (1988)
 Mestre Zinho (1989)
 Tiziu do Araripe (1989)

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Cap14 – Sanfoneiros – Livro – O que é o Forró? (2022)

Os Sanfoneiros, há mais de cem anos, são o centro da formação musical do Forró, fazendo com que grande parte da musicalidade ancestral fique sob responsabilidade desses grandes mestres.

Uma tradição familiar, um instrumento mágico que é comumente passado de pai para filho. Um dom que cada um recebeu e, estudando ou não, mostra sua genialidade à sua própria maneira.

Podemos dividir os sanfoneiros em duas linhas: Os que tocam Fole de 8 Baixos (8Bx), que é um instrumento “desafiador” para se tocar. E mesmo com todas as dificuldades e limitações técnicas, esses músicos tocavam, gravaram e compuseram músicas magníficas.

E os tocadores de Sanfonas com teclado de Piano e 120 baixos, um instrumento que dá possibilidades praticamente ilimitadas ao tocador.

A seguir, renomados acordeonistas do Forró, com as datas das primeiras gravações.
Exemplo: Gerson Filho teve seu primeiro álbum lançado em 1957, porém, sua primeira gravação, em disco de 78 RPM, foi feita em 1953.

Principais Sanfoneiros

 Maestro Chiquinho (1956) (1950)
 Orlando Silveira (1956) (1951)
 Sivuca (1956) (*1951)
 Gerson Filho (1957) (*1953)
 (8Bx) Severino Januário (1961)(*1955)
 Camarão (1958)
 (8Bx) Zé Calixto (1960)
 (8Bx) Adolfinho (1961) (*1960)
 (8Bx) Abdias (1961)
 (8Bx) Pedro Sertanejo (1961) (*1956)
 (8Bx) Geraldo Correia (1964)
 Noca do Acordeon (1962) (*1961)
 Oswaldinho do Acordeon (1968)
 Zé Paraíba (1971)
 (8Bx) Bastinho Calixto (1973)
 (8Bx) Luizinho Calixto (1975)
 Renato Leite (1976)
 Flávio José (1977)
 Gennaro (1978)
 Marcos Farias (1982)
 Severo (1983)
 (8Bx) Arlindo dos 8 baixos (1981)
 Duda da Passira (1989)
 Waldonys (1992)
 Adelson Viana (2005)

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Cap15 – Compositores / Principais Compositores – Livro – O que é o Forró? (2022)

Durante a produção fonográfica do Forró, alguns compositores se destacaram com quantidades expressivas de composições, outros escreveram músicas que hoje são clássicos conhecidos por todo forrozeiro.

Cada compositor tem suas características marcantes, alguns pela poesia (métrica e rima), outros pela temática ou sagacidade.

Abaixo, alguns dos mais relevantes compositores e as datas de gravação de suas primeiras obras dedicadas ao Forró.

Principais Compositores

 Humberto Teixeira (1941)
 Gordurinha (1946)
 Zé Dantas (1950)
 João do Vale (1953)
 Antônio Barros e Cecéu (1956)
 João Gonçalves (1959)
 João Silva (1960)
 Zé Marcolino (1962)
 Anastácia (1965)
 Durval Vieira (1970)
 Jorge de Altinho (1975)
 Pinto do Acordeon (1976)
 Benicio Guimarães (1978)
 Accioly Neto (1978)
 Nando Cordel (1982)
 Petrúcio Amorim (1983)
 Maciel Melo (1984)
 Zezum (1986)
 Chico Pessoa (1992)
 Xico Bizerra (1995)

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Cap16 – Forró MPB (década de 1970) – Livro – O que é o Forró? (2022)

O Forró tradicional sempre existiu, mas teve seus altos e baixos. Durante a década de 1960 foi sufocado por outros estilos musicais, como a Bossa Nova, o Iê-iê-iê, o Rock e o Jazz. Teve uma nova ascensão com a chegada dos artistas do “Forró MPB” (Música Popular Brasileira).
Forró MPB (década de 1970)
Artistas jovens, com influências do Forró Tradicional e a ousadia própria da idade, misturaram o Forró com as tendências musicais da época, como o Rock, por exemplo, resgatando o gênero para o cenário artístico e os holofotes da mídia.
Um período caracterizado pelo aumento da complexidade da arquitetura melódica e harmônica nas gravações. Esses jovens renovam o interesse nacional pelo Forró, atraindo novos olhares com composições revolucionárias e resgatando os ícones das décadas anteriores.
Certa vez, Alceu Valença, quando de passagem por Pernambuco, resolveu dar uma “passada” em Exu para conhecer o Rei do Baião. A visita rendeu uma gravação juntos.
Uma outra interação de gerações notória foi quando Geraldo Azevedo e Alceu Valença bateram à porta de Jackson do Pandeiro para conhecê-lo e convidá-lo para participarem juntos de um festival de música.

Já na década seguinte, de 1980, o Forró perderia novamente espaço para a música estrangeira e suas variáveis nacionais, como Rock, Baladas Românticas, música Brega (ou de “Roedeira”) e Lambada, basicamente fenômenos de mídia e seus espectros seletivos. Os bons ficaram, os maus passaram e os antigos hibernaram outra vez.
Com essas influências, escreve-se um novo capítulo na história do Forró, com o surgimento das grandes bandas e seus pragmatismos estéticos e parafernálias sonoras.

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